terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

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Mergulhada na fantasia do ser fui dando asas ao meu mundo interior, tão alheio à vida!
 lembranças ainda mornas da última vez que vi o tempo como seixos rolando no rio...
Sob aquele olhar tímido e penetrante deixei-me conduzir por águas turvas.
Não foi certo esperar os ventos do norte... eles são incapazes!
A natureza está ausente daquele sentimento.
Por hoje é a partida que constrói a dimensão do ser!
Permanecer imóvel...
Quem dera fosse possível olhar mais uma vez na mesma direção de outrora!!!
Quem dera fosse meu...
Aquele tempo!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Palavras



Te escreveria todas as canções...


Em princípio as palavras são como grãos de poeiras lançadas ao vento forte em direção à montanha.
Mas, como partículas de pó, palavras possibilitam uma diversidade de entendimentos, transformados, assimilados, contestados. Não há como dizer com palavras aquilo que realmente se quer dizer!
Por isso, falar vai muito além...
Não quero dizer nada com o que escrevo, pois estou apenas expressando um pouco do que compreendo nesse momento. Há na vida diversas formas de viver, assim como há nas palavras diversas maneiras de dizê-las.  Uma montanha é indestrutível porque se transforma, sedimentando um pouco a cada dia até que a sua atual forma desapareça.
A vida é como uma montanha, no entanto, indestrutíveis devem ser as nossas formas de vivê-la!
Há que escolher um caminho! Eu, escolho o simples, o descomplicado, o amor e todas as suas diversidades.
Eu escolho o movimento, a transformação e a partilha.
Eu escolho a vida que no final, poderei levar...

Fronteira Chile/Argentina. Janeiro de 2017

Sobre ir

Resultado de imagem para caminhando

"o passado é uma roupa que não nos cabe mais!"
belas palavras! uma poesia sussurrada à alma daquelas pessoas que carregam no coração o desejo de mudar...
É sempre tempo de ir, de deixar o passado ser o que ele é: experiência! É no caminhar que está a descoberta, a transformação, o novo.
Quando reconheço que algo não me cabe mais, estou caminhando em terrenos do passado. E aí, é hora de saber ir...
Conosco carregamos experiências vividas, as que nos faz sermos quem de fato somos! sem máscaras, sem prisões, sem estereótipos.
A vida está no que ainda há de vir e isso é o sentido da existência! portanto, vá, pois do outro lado, algo te espera sem cessar!


Escrito em um ônibus em uma fronteira desse mundo.
RFO.

domingo, 26 de junho de 2016




Ela atravessou o cair da madrugada fresca naqueles dias de horas vazias...
Uma imensidão do nada. Passos pequenos e vontades intermináveis.
No corpo, uma pulsação de pecados envenenando o sangue...
As tardes eram como algodões, mortalmente macias, sem jeito...
Ajeitava-se como podia naquela horda de sentimentos ainda vivos...
Na casa, não se podia vê-la em espaço algum, mas estava lá!
Sombria e intensa como são todas as criaturas misteriosas que transitam entre os mundos...
Andava por um caminho tão desconhecido...
Estava terrivelmente viva, até o fim!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Chove



A chuva está no horizonte

É hora de voltar para casa...

Você houve o que eu digo?

A chuva chegou...

Voltaremos para casa...

Nossa casa de esperanças...

Busque as crianças

A chuva está a caminho

Vamos voltar para casa...

Hoje poderemos tocar o céu...

A terra estará molhada...

Pegue o seu coração despedaçado

Voltemos para casa...!

sábado, 23 de abril de 2016

Uma vez mais...


Contemplai ó minh’ alma o anoitecer!
Creia que amanhã haverá crepúsculos novos...
Um dançar das cores irá desfilar em minha janela...
Uma vez mais...
Por que vens ó noite, obscura?
Minha razão inebriada ansiou por seu toque profundo e vazio.
E eu me empenho em deitar o meu espírito numa dança sombria...
Uma vez mais...
Rezei ao flagelo impresso nos caminhos densos...
Enquanto o calor se esvai...
E o meu coração, uma ave esvoaçada...
Livremente plana...
 uma vez mais!




quarta-feira, 20 de maio de 2015

Parca Poesia



Uma chuva que cai
Um peito que rasga.
Um amor que se esvai..
Numa noite fria, nada além daquela parca poesia...
Pouca coisa restou...
 apenas um gole de conhaque em uma garrafa velha...
Teias de aranha pela casa, assentos empoeirados.
E um livro...
Nele, apenas uma parca poesia...
Nesse instante somente essa companhia.
Ler aquela pequena e rasa poesia.
E despertar a incrível habilidade de criar...
Criei fantasmas, monstros e príncipes...
reinos, castelos, cidades e campos...
Criei deuses...
E dei adeus...
Tudo se foi...