quarta-feira, 4 de julho de 2012


Na imensidão do demasiado humano há uma ponte feita de estrelas brilhantes...
A ponte leva aos caminhos dos sentidos, das perdas, das buscas e dos encontros com as possibilidades....
Tenho pés, tenho vontade...
Mas não estou completa,
estou repartida entre o que fica e o que se foi...
Não tenho tempo para ir ou para ficar
Só tenho tempo para ser...
Estou tão atrasada para meu encontro...
Mas acabei de saber que já estive lá,
que já deixei meus beijos e meu adeus...
Habitei os sonhos daqueles que fogem
e que não retornarão...
 Nunca puder tocar a vida com as minhas duas mãos...
Elas estão sempre ocupadas com o passado e com o futuro...
Meu corpo jamais dançará com minha mente
Pois ela está imersa nas profundezas das infinitas projecções de pensamentos e desejos...
Escolher é a razão....


do meu poema "homem viril" egípcio



Tu, homem viril"
És o reflexo do espelho que mostra o caminho
Aos peregrinos do deserto.
És o veneno que cura,
o mel produzido pelo escaravelho sagrado.
És o símbolo do mistério que encontra as almas mortais...
És a criação da deusa, que em desespero
Procurou suas partes pelos quatro cantos da terra
E o refez....



Vitória da Conquista, 2008

terça-feira, 3 de julho de 2012

Existência


Se sou a existência, o que há fora de mim?
Pertenço a tudo o que é a vida.
E se tudo o que é vivo a mim foi dado,
Como poderei ser solitária então?
Embora o seja eternamente....
A solidão que me assola é justamente o ponto em que me encontro
com tudo o mais.
Como querer caminhar sozinha se tenho o céu, o sol, a lua e as estrelas a me acompanhar?
Como ser só, se o vento beija-me a face a cada instante da caminhada?
Não há futuro certo ou incerto.
A existência conduz o ser para além da morte. 
O ser existente é a essência primeira da criação
E está em tudo o que é tangível.
O metafísico é o interior que se pode ler nos olhos, na fala, no cheiro, na vontade....
Não há ser humano incompleto!
Cada um é o deus de si guiado pelo deus supremo
Que é a arte de viver.


Renata Ferreira de Oliveira
Vitória da Conquista, 2007.

Na chuva eu dancei sozinha uma canção jamais escrita, jamais composta.
Sua única melodia era o barulho dos pingos que tocavam o meu rosto como uma mão sedenta de toque.
Naquela dança eu deixei meu mundo cair. Minhas mãos eram quentes, mas meu corpo era fraco. Meus ouvidos nunca mais ouviram outra canção senão aquela. Mas eu quebrei o disco e queimei a chuva...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dos meus sonhos...


No espaço inabitado de um mundo escuro eu viajei eternamente..
Encontrei seres estranhos que só existem no íntimo do humano....
Vento e chuva brindavam a minha chegada. Eu só via à frente o horizonte fatal, e corações bombardeados por coisas inúteis.
Cidades sombrias, movimentadas e vazias davam formas ao infinito...
Decidi andar sobre os muros que me separavam do belo jeito de olhar o mundo, pois eu estava seduzida pela paisagem misteriosa... 
A minha frente, um pântano de pensamentos ideais. Eles grudavam e queimavam a pele daquele que ousasse tocá-los. Do outro lado, os braços de um cavaleiro me aguardavam. Parecia Arthur que havia abandonado a távola, mas não era. Era apenas o meu delírio. Olhei bem, agora eu vi. Era Ares em suas múltiplas formas. Deu-me seus lindos braços e levou-me para o seu mundo de guerras...


quarta-feira, 25 de abril de 2012


No muro dos meus sonhos deixei o meu medo...
No espelho do meu quarto aparecia apenas a sua imagem carregada de marcas minhas...
No meu corpo, uma dor insuportável tomou conta das minhas veias, dos meus pecados....
Hoje, luzes viajaram pelo escuro do meu coração como raios de neon
Hoje, a meia noite, me lançarei em teu mundo....
Hoje decido se vou te amar...

terça-feira, 24 de abril de 2012




VENTO

O vento leve bateu em minha janela
Murmurei algo sem saber, sem sentidos
Não estava esperando nada, nada havia me encontrado
Mas de assalto aquele assombro subiu-me a espinha
Queria ver pintado em sete cores azuis o vento
Malino! Malino! Volta a me envolver
Teu torvelinho de cuidados na casa amada, não soube reconhecer tua voz.
Vento leve bateu em minha janela.
Retirou minha alma do repouso absurdo
Não suportei tua voz
Doeu no meu peito. Cortou-me como espada.
Quero voltar e tocar teus dedos
Mas onde estás?
Não vejo nem teus cabelos negros que outrora envolviam-me como suspiros lamuriosos da paixão.
Não ficarei mais aqui...
Prisão da vida solta-me de tuas grades
Quero correr no campo sem fim
E seguir as lamurias do vento
Lembranças me vêm à mente
Sussurros exaltam dos meus lábios
Quero correr e saltar ao encontro do colo daquele que soprou em minha janela
Foi culpa do feixe de luz!

R.F. de Oliveira
Maio de 2010